De início, você pode questionar: “Mas eu posso ficar com as duas coisas.” Sim, em algumas situações, pode. Porém, conseguir as duas também exige recursos, como dinheiro, tempo ou esforço, que poderiam ser destinados a outras finalidades.

O meu interesse é tratar com você dos princípios de economia, que nos ajudam a compreender essas escolhas e a tomar melhores decisões em um mundo de recursos escassos. Neste primeiro texto, vamos entender por que toda escolha envolve uma renúncia.

Em economia, escassez significa que os recursos disponíveis são limitados diante dos usos que queremos dar a eles. Por exemplo, uma família pode ter dinheiro para comprar roupas ou um sofá, mas não para comprar ambos. E, mesmo quando podemos ficar com duas coisas, ainda precisamos considerar aquilo de que estamos abrindo mão para obtê-las.

Mankiw traz um cenário didático que nos ajuda a compreender isso:

“Selena, uma estudante que precisa decidir como alocar seu recurso mais precioso – o tempo. Ela pode: passar todo o seu tempo estudando economia, passar todo o seu tempo estudando psicologia, ou dividir o tempo entre as duas disciplinas. A cada hora que passa estudando uma matéria, ela abre mão de estudar a outra. Além disso, a cada momento que passa estudando qualquer uma das duas matérias, Selena abre mão de um tempo que poderia gastar cochilando, andando de bicicleta, vendo TV ou trabalhando para obter mais dinheiro.”

É porque os recursos são limitados que as famílias, as empresas e o governo precisam decidir como alocá-los para atender às suas necessidades e alcançar seus objetivos. Destinar mais recursos a uma finalidade significa ter menos recursos disponíveis para outras.

Essas escolhas também aparecem no uso da renda que adquirimos por meio do trabalho. Quando investimos a parte dela que poupamos, abrimos mão de usá-la no consumo presente em busca de um benefício futuro.

O inverso também se aplica, ou seja, quando decidimos consumir hoje, deixamos de investir esse dinheiro. Dessa forma, a escolha envolve considerar nossas necessidades atuais e nossos objetivos para o futuro.

É importante também deixar claro que reconhecer a existência de trade-offs não significa que agora sabemos quais são as decisões mais corretas a tomar, mas que compreendemos que escolher uma coisa envolve abrir mão de outra.

Por exemplo, ampliar uma área de pastagem por meio do desmatamento pode aumentar a produção pecuária, mas também causar a perda de vegetação nativa e de biodiversidade. Preservar essa área, por sua vez, significa abrir mão dessa expansão para proteger os recursos naturais.

Ou seja, a ideia de trade-off nos ajuda a ter consciência dos benefícios e dos sacrifícios envolvidos nas escolhas econômicas, sem que isso signifique saber qual é a melhor delas.