A ideia de pensar na margem pode não ser fácil de aceitar ou compreender de início. Muitas pessoas criticam a Economia por tentar racionalizar as escolhas humanas. Mas os modelos econômicos partem de pressupostos básicos que ajudam a compreender essas decisões.

Segundo Gregory Mankiw, os economistas supõem que uma pessoa racional escolhe, entre as opções disponíveis, aquilo que melhor atende aos seus objetivos, considerando as limitações que enfrenta. Isso não significa que ela sempre toma a melhor decisão entre todas as possíveis na realidade. Significa que procura a alternativa mais adequada aos seus objetivos, dadas as restrições que enfrenta.

Outra ideia é que as pessoas racionais pensam na margem: comparam os benefícios e os custos adicionais de uma mudança em relação à situação atual.

Por exemplo, antes de contratar mais um trabalhador, uma empresa avalia se a receita adicional que espera obter será suficiente para cobrir o custo dessa contratação. Já quem gosta muito de sorvete pode pensar se vale a pena tomar mais um copo depois de já ter tomado dois.

Pensar na margem tem a ver com decidir se queremos fazer um pouco mais ou um pouco menos de algo, considerando o que ganhamos e aquilo a que renunciamos com essa decisão.

Um exemplo clássico é o paradoxo da água e do diamante. Por que, em geral, estamos dispostos a pagar mais por um diamante, que não é essencial à vida, do que por um copo de água, quando há água em abundância? A escassez dos diamantes também contribui para seu preço mais alto. No caso da água, se já temos água suficiente, o benefício de um copo adicional pode ser pequeno.

Agora imagine que você está no deserto e a água do seu cântaro acabou. Se não encontrar um oásis, será difícil conseguir mais água. Quanto pagaria por mais um copo? Talvez o mesmo que por um diamante, ou até mais, porque a água está escassa e aquele copo pode ser essencial para saciar sua sede e manter você vivo.

Em cada situação, comparamos o benefício adicional com o custo de obter mais um pouco de algo. Podemos avaliar se vale a pena comer outra sobremesa, assistir a mais um episódio de uma série durante a madrugada ou avaliar se compensa manter uma máquina ligada quando a demanda da indústria está caindo.

Portanto, pensar na margem é avaliar se o benefício de ter um pouco mais de algo compensa o custo de obtê-lo. Conforme as circunstâncias mudam, também pode mudar o que estamos dispostos a escolher.